Artigo

Nova técnica minimamente invasiva trata tumor de glândula adrenal

Um estudo preliminar publicado na revista científica Nature descreve uma nova técnica promissora para tratar o adenoma produtor de aldosterona, um tipo de tumor benigno na glândula adrenal que causa hipertensão arterial de difícil controle. O procedimento, chamado de embolização adrenal arterial e venosa seletiva (SAAVE), combina a obstrução de artérias e veias do tumor para suprimir a produção excessiva do hormônio, oferecendo uma alternativa à cirurgia para pacientes que não podem ou não querem operar.

O que é o adenoma produtor de aldosterona

Esse tumor, geralmente benigno, faz a glândula adrenal liberar aldosterona em excesso. O hormônio regula o equilíbrio de sódio e potássio no organismo; quando em níveis altos, provoca retenção de líquido, eleva a pressão arterial e aumenta o risco de AVC, infarto e lesão renal. O tratamento padrão é a remoção cirúrgica da glândula (adrenalectomia), que cura a maioria dos casos, mas muitos pacientes têm contraindicações clínicas ou não desejam passar por uma operação.

Como funciona a nova técnica

A técnica SAAVE evolui a partir da embolização arterial tradicional (SAAE), que já havia sido testada como alternativa minimamente invasiva, mas tinha eficácia limitada porque nem sempre conseguia bloquear completamente o fluxo sanguíneo para o tumor. No novo método, os médicos ocluem tanto a artéria quanto a veia que alimentam a lesão, cortando o suprimento sanguíneo por completo. Isso aumenta a chance de necrose do adenoma — a morte das células produtoras de aldosterona — e reduz a produção excessiva do hormônio.

No estudo, 11 pacientes com adenoma à esquerda foram tratados com SAAVE e comparados com 40 pacientes que haviam recebido apenas SAAE. Após três meses, a técnica combinada reduziu drasticamente a concentração de aldosterona no sangue, normalizou o potássio sérico e diminuiu a pressão arterial ambulatorial de 24 horas em 16,91 mmHg na sistólica e 9,55 mmHg na diastólica. Não houve eventos adversos graves e os níveis de cortisol permaneceram estáveis.

Comparação com a abordagem anterior

Os resultados mostram uma diferença marcante na remissão bioquímica completa: 81,8% dos pacientes tratados com SAAVE atingiram a remissão, versus 35% com SAAE. Mesmo após ajustes estatísticos para eliminar diferenças iniciais entre os grupos, a vantagem se manteve significativa (81,8% contra 45,4%).

Essa melhora é especialmente importante para pacientes com adenoma produtor de aldosterona, que causa hipertensão secundária e aumenta o risco de danos cardiovasculares e renais. A cirurgia de adrenalectomia é curativa, mas muitos pacientes não podem ou não querem se submeter a ela. Uma alternativa menos invasiva e com alta taxa de sucesso pode mudar o panorama do tratamento desses casos.

Limites e perspectivas futuras

O estudo é classificado como experimental preliminar e envolveu apenas 11 pacientes, todos com tumor à esquerda. A técnica é tecnicamente complexa e exige equipe treinada, além de equipamentos de imagem e cateterismo específicos. Ainda não se sabe se os resultados se repetem em tumores à direita ou em casos mais complexos.

Os pesquisadores defendem que os achados justificam novos estudos com amostras maiores e acompanhamento mais longo. Se confirmados, eles abrirão caminho para um procedimento ambulatorial que pode evitar cirurgias invasivas, reduzir complicações e ampliar o acesso ao tratamento de uma condição que muitas vezes é subdiagnosticada. A expectativa é que a técnica evolua como opção segura e eficaz no arsenal contra essa forma específica de hipertensão.

Estudo: Arterial–venous adrenal embolization for aldosterone adenoma: a preliminary exploratory study (Hypertension Research)