O SupleCiência existe para transformar estudos em informação útil sem transformar incerteza em promessa. Cada página deve responder a uma pergunta concreta: o que foi estudado, em quem, em qual dose, por quanto tempo e com qual grau de confiança?
Não tratamos um suplemento como “cura”, nem um resultado estatisticamente favorável como garantia individual. A evidência é sempre lida no contexto da população, do desfecho, da qualidade dos estudos e dos limites que os próprios autores relatam.
1. O que avaliamos
Priorizamos desfechos que fazem diferença na vida real: sintomas, função, desempenho, composição corporal, qualidade de vida, marcadores clínicos e segurança. Mecanismos biológicos ajudam a explicar uma hipótese, mas não substituem resultados em pessoas.
- Meta-análises e revisões sistemáticas costumam ser o ponto de partida, sobretudo quando reúnem ensaios clínicos comparáveis.
- Ensaios clínicos randomizados entram quando a revisão é antiga, não responde à pergunta ou precisa ser complementada.
- Diretrizes e consensos ajudam a situar a prática clínica e as precauções.
- Estudos observacionais, mecanísticos e em animais podem contextualizar, mas não recebem o mesmo peso de evidência clínica.
2. Como selecionamos e lemos as fontes
Uma fonte não é escolhida apenas por ter um resultado positivo. Observamos o desenho do estudo, risco de viés, número de participantes, duração, comparador, perdas durante o acompanhamento, coerência entre estudos e relevância do desfecho.
Também verificamos se o resultado se aplica à pergunta feita. Um estudo em pessoas com deficiência nutricional não prova o mesmo benefício em quem já tem ingestão adequada; um resultado em atletas treinados não deve ser copiado automaticamente para idosos, adolescentes ou pessoas com doença crônica.
Quando disponível, vinculamos DOI, PMID ou a página do estudo. A fonte não é enfeite: ela permite que o leitor confira de onde veio cada síntese.
3. Como graduamos a evidência
A graduação pertence ao par suplemento + condição ou objetivo, e não ao ingrediente isoladamente. Creatina, por exemplo, pode ter evidência forte para um desfecho de força e uma leitura muito mais incerta para outro uso.
- Evidência forte: resultados relativamente consistentes, com base clínica adequada e boa aplicabilidade para a pergunta.
- Evidência moderada: há sinal útil, mas permanecem limitações relevantes de precisão, heterogeneidade ou população.
- Evidência limitada ou muito limitada: poucos estudos, amostras pequenas, desenho frágil ou aplicação indireta.
- Evidência contraditória: estudos ou sínteses chegam a resultados incompatíveis sem uma explicação suficiente.
- Em preparação: o tema foi mapeado, mas ainda não há uma síntese editorial pronta para publicação.
Além da força, indicamos a direção do achado: favorável, neutra, mista ou desfavorável. Um resultado neutro é informação útil; ele evita que plausibilidade e marketing ocupem o lugar de evidência.
4. Doses, formas e duração
As doses apresentadas no site descrevem protocolos estudados. Elas não são prescrição individual, promessa de resultado ou convite para reproduzir um ensaio sem considerar diagnóstico, medicamentos, função renal/hepática, tolerância e objetivo.
Forma química, padronização do extrato, teor do composto ativo, alimentação, horário, duração e adesão podem mudar a leitura. Por isso, “o mesmo suplemento” no rótulo nem sempre corresponde ao produto que foi investigado.
5. Segurança vem junto da eficácia
Uma intervenção só é útil quando seu possível benefício é maior que seus riscos no contexto da pessoa. Por isso, buscamos registrar efeitos adversos, interações, populações excluídas dos estudos e situações que pedem mais cautela — como gestação, lactação, doença crônica, uso de anticoagulantes, medicamentos para glicose, pressão, humor ou imunidade.
Ausência de relato de dano em estudos pequenos não equivale a segurança comprovada em longo prazo.
6. Independência editorial e publicidade
Interesse comercial não altera a graduação da evidência, a seleção dos estudos ou a conclusão. Quando houver link de afiliado, produto ou parceria comercial, isso deverá aparecer de forma clara e separada da síntese científica.
Não recomendamos um produto apenas porque ele está disponível para compra. Primeiro vem a pergunta clínica ou de desempenho; depois a evidência; por fim, se fizer sentido, a discussão transparente sobre formulação e produto.
7. Atualização, correções e transparência
Ciência muda. Uma página pode ser revisada quando surgirem meta-análises, ensaios relevantes, alertas de segurança ou mudanças de consenso. A data de atualização mostra quando aquela síntese foi revista — não significa que o assunto esteja encerrado.
Se uma fonte estiver incorreta, incompleta ou desatualizada, queremos corrigir. Transparência inclui explicitar o que sabemos, o que ainda não sabemos e o que foi alterado.
Limites e quando procurar ajuda
Este site é educacional e não substitui avaliação profissional. Procure atendimento médico ou nutricional diante de sintomas persistentes, súbitos ou graves; suspeita de deficiência, anemia ou doença hormonal; gestação/lactação; doença renal, hepática ou cardiovascular; uso contínuo de medicamentos; ou antes de iniciar doses altas e combinações de suplementos.
