Um ensaio clínico recente descobriu que a combinação de aspirina em baixa dose com ômega-3 foi tão eficaz quanto o tratamento com antibióticos para reduzir a inflamação da gengiva (periodontite). O resultado abre caminho para uma abordagem mais segura e acessível, especialmente em um cenário de crescente resistência antimicrobiana. A doença gengival atinge cerca de 50% dos adultos em todo o mundo e é um fator de risco para problemas cardiovasculares e diabetes.
Por que a periodontite surge
A gengivite, inflamação superficial da gengiva, evolui para periodontite quando a placa bacteriana se acumula e desencadeia uma resposta inflamatória exagerada. As bactérias em si não são o único problema – é o corpo que reage com uma cascata de citocinas inflamatórias, destruindo o tecido que sustenta os dentes. O tratamento convencional envolve raspagem profissional, controle de placa e, em casos moderados a graves, antibióticos como amoxicilina e metronidazol.
O uso de antibióticos tem efeitos colaterais (distúrbios gastrointestinais, alergias) e favorece a resistência bacteriana. Surge a necessidade de alternativas que modulem a inflamação em vez de apenas matar bactérias.
O que o estudo testou
O ensaio, realizado em pacientes com periodontite moderada, comparou dois grupos: um recebeu a combinação de aspirina (100 mg/dia) e ômega-3 (3 g/dia de EPA+DHA), e o outro recebeu antibióticos, ambos após raspagem não cirúrgica. Após três meses, os dois grupos apresentaram melhorias similares na profundidade de bolsas gengivais, sangramento à sondagem e níveis de citocinas inflamatórias.
A aspirina e o ômega-3 agem na redução da resposta inflamatória por mecanismos complementares: a aspirina inibe a produção de prostaglandinas pró-inflamatórias, enquanto o ômega-3, especialmente o EPA e o DHA, é precursor de mediadores pró-resolução, que ajudam a resolver a inflamação sem suprimir a imunidade.
Implicações para a prática clínica
Se os resultados forem confirmados em estudos maiores, a terapia combinada pode ser um substituto viável para antibióticos em pacientes com periodontite. Isso é particularmente relevante para pessoas alérgicas a antibióticos, com doenças gastrointestinais sensíveis ou preocupadas com a resistência antimicrobiana.
É importante notar que o estudo
