O Ministério da Saúde, por meio da Conitec, abriu uma consulta pública para avaliar a incorporação da angiotomografia coronariana ao Sistema Único de Saúde (SUS). Esse exame de imagem, que permite visualizar as artérias do coração de forma não invasiva, poderia substituir parte dos cateterismos diagnósticos, reduzir custos e agilizar o tratamento de pacientes com suspeita de doença arterial coronariana. Um estudo encomendado projeta uma economia de bilhões de reais para o sistema público.
O que é a angiotomografia coronariana
É um exame de tomografia computadorizada que usa contraste intravenoso para obter imagens detalhadas das artérias coronárias. Diferentemente do cateterismo, que é invasivo e exige passagem de um cateter pelas artérias, a angiotomografia é rápida, indolor e apresenta menor risco de complicações. Ela permite identificar obstruções, placas de gordura e até avaliar a composição dessas placas.
Hoje, o SUS oferece principalmente o cateterismo para o diagnóstico, que é mais caro, exige internação, equipe especializada e gera maior desconforto para o paciente.
O contexto do uso clínico
Em pacientes com dor torácica de causa indefinida ou risco intermediário de doença coronariana, a angiotomografia é uma excelente opção inicial. Se o exame mostra artérias normais, o médico pode descartar doença grave com alta precisão e evitar procedimentos invasivos. Se mostra obstruções significativas, o paciente pode ser encaminhado para o tratamento adequado sem perder tempo.
Estudos internacionais já demonstraram que essa estratégia reduz custos, diminui o tempo de internação e é tão segura quanto o cateterismo em muitos cenários.
Impacto econômico e assistencial
O estudo citado na proposta estima uma economia bilionária em longo prazo, considerando a diferença de custo entre os exames e a redução de complicações e internações desnecessárias. Além disso, a angiotomografia pode reduzir a lista de espera por cateterismo, que muitas vezes demora meses no SUS, prejudicando o diagnóstico e o início do tratamento.
A incorporação, porém, exige investimento em equipamentos de tomografia com capacidade para aquisição cardíaca, treinamento de profissionais e protocolos de segurança para o uso de contraste. A Conitec está avaliando esses pontos.
Participação da sociedade
Durante a consulta pública, qualquer cidadão pode enviar contribuições, tanto relatos pessoais quanto pareceres técnicos. Essa participação é essencial para que a decisão considere não apenas números, mas também a experiência de quem vive com dor torácica e a opinião de cardiologistas da ponta.
Se a incorporação for aprovada, o SUS ganhará mais uma ferramenta de diagnóstico de alta qualidade, alinhada às melhores práticas internacionais.
O que vem a seguir
A previsão é de que o processo tenha parecer final no próximo semestre. Enquanto isso, hospitais públicos que já possuem tomógrafos modernos poderiam iniciar projetos-piloto. A longo prazo, o exame pode se tornar a primeira escolha para uma grande parcela de pacientes, liberando o cateterismo para casos que realmente necessitam de intervenção. Para o cidadão, o benefício é claro: diagnóstico mais rápido, menos riscos e um sistema de saúde mais eficiente.
