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Dayvigo: novo remédio para insônia chega ao Brasil em meio a avanços no tratamento

O Brasil vai ganhar mais uma opção para o tratamento da insônia crônica. O Dayvigo (lemborexant), um medicamento de nova geração para insônia, foi anunciado pelas farmacêuticas para o mercado nacional. A novidade chega em um momento em que a busca por soluções para noites mal dormidas cresce no país — dados recentes indicam que cerca de 40% dos brasileiros relatam algum problema de sono, e a insônia crônica afeta aproximadamente 10% da população adulta. O fármaco ganhou destaque por ter sido eleito o melhor medicamento do ano em sua categoria por um prêmio concedido por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Como funciona o lemborexant

Diferente dos benzodiazepínicos tradicionais, que atuam de forma inespecífica no sistema nervoso central, o lemborexant é um antagonista dual do receptor de orexina. A orexina é um neuropeptídeo que promove o estado de vigília. Quando esse sistema é bloqueado, o cérebro “desliga” o alerta, facilitando a transição para o sono. Na prática, o medicamento ajuda a pessoa a adormecer mais rapidamente e a reduzir despertares noturnos, mas sem causar sedação residual tão acentuada quanto a de outras drogas.

O mecanismo é inovador porque age em um alvo mais específico do que os antigos hipnóticos. Enquanto os benzodiazepínicos ativam um receptor inibitório de forma ampla, o lemborexant modula apenas o circuito de vigília, o que diminui o risco de efeitos colaterais como perda de memória, queda da pressão e dependência.

Quando o medicamento estará disponível

De acordo com o anúncio, o Dayvigo deve chegar às farmácias brasileiras ainda neste semestre, em duas dosagens (5 mg e 10 mg). A farmacêutica responsável informou que o preço será definido após aprovação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), mas especialistas estimam que o custo mensal fique entre R$ 150 e R$ 250, valor superior aos genéricos de zolpidem, mas comparável a outras novidades do segmento.

A comercialização exigirá prescrição médica, e o consenso é que o remédio seja indicado para insônia crônica, aquela que persiste por mais de três meses e interfere nas atividades diárias. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou o registro do princípio ativo, o que permite a venda no país.

O que dizem os estudos clínicos

Ensaios clínicos de fase 3, que envolveram milhares de pacientes, mostraram que o lemborexant é eficaz tanto em adultos quanto em idosos. Em um dos estudos mais citados, os participantes que tomaram 5 mg por oito semanas reduziram o tempo médio para adormecer de cerca de 40 minutos para 20 minutos. Houve também aumento no tempo total de sono e melhora na função diurna relatada.

A segurança observada é outro ponto positivo. Os efeitos adversos mais comuns são dor de cabeça, sonolência leve na manhã seguinte e, em doses maiores, sonolência intensa. Não há sinais de dependência severa, e a retirada após uso prolongado não provoca o efeito rebote característico de outros hipnóticos.

Importância no cenário brasileiro

A chegada de um tratamento de nova classe é significativa porque o mercado nacional ainda depende muito de medicamentos antigos, como flunitrazepam e clonazepam, que têm alto potencial de abuso e uso contínuo inadequado. A insônia é um problema multifatorial: envolve má higiene do sono, estresse, ansiedade e condições médicas como apneia. O novo medicamento não substitui as intervenções não medicamentosas, mas pode ser uma ferramenta útil quando a terapia cognitivo-comportamental para insônia não está disponível ou não surtiu efeito.

É importante ressaltar que o “prêmio de Oxford” mencionado no anúncio refere-se a uma avaliação acadêmica que escolheu o lemborexant como o melhor avanço terapêutico do ano em sua classe, com base em inovação e evidência clínica. Isso confere um selo de qualidade, mas não elimina a necessidade de acompanhamento médico.

Limitações e cuidados necessários

O medicamento não é recomendado para pessoas com narcolepsia, para gestantes ou lactantes, nem para quem consome álcool de forma regular. Além disso, a sonolência residual é mais comum em doses maiores — por isso, a dose inicial deve ser a menor eficaz. O tratamento deve ser contínuo? Não necessariamente. Muitas diretrizes sugerem uso na forma de ciclos, com reavaliação periódica, para evitar a dependência psicológica ao comprimido.

Outra questão é o custo-benefício. Para quem responde bem a opções mais baratas, como a melatonina ou o zolpidem, a mudança pode não ser necessária. Mas para pacientes que não toleram os efeitos colaterais dos hipnóticos tradicionais, o lemborexant representa uma alternativa relevante.

O que vem a seguir

A farmacêutica já anunciou que pretende realizar programas de educação médica sobre o uso racional do lemborexant, incluindo a importância de avaliar causas subjacentes da insônia. A longo prazo, a expectativa é que novas moléculas da mesma classe – como o daridorexant, já aprovado em outros países – também cheguem ao Brasil, ampliando o leque de escolhas.

Para o paciente brasileiro, a mensagem é otimista: há cada vez mais tratamento eficaz e seguro para um problema que afeta qualidade de vida e aumenta risco de doenças cardiovasculares e transtornos de humor. Mas a chave está no diagnóstico correto e na abordagem integrada, combinando medicamento, higiene do sono e, quando possível, psicoterapia.