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Sarampo volta a acender alerta no Brasil: entenda por que a vacinação é a única barreira eficaz

O sarampo, doença viral altamente contagiosa que estava controlada no Brasil, voltou a aparecer em notificações recentes, gerando alerta nas autoridades de saúde. A vacinação continua sendo a principal — e mais eficaz — ferramenta de prevenção, mas a baixa adesão nos últimos anos abriu espaço para a reintrodução do vírus. O cenário preocupa porque o sarampo pode causar complicações graves, especialmente em crianças menores de cinco anos e adultos não vacinados.

Como o sarampo se espalha e por que é tão perigoso

O vírus do sarampo pertence ao gênero Morbillivirus e é transmitido por gotículas respiratórias. Uma pessoa infectada pode contaminar até 90% das pessoas suscetíveis ao seu redor. O vírus permanece no ar por até duas horas após a tosse ou espirro, o que torna ambientes fechados, como escolas e transporte público, de alto risco.

Além da febre alta e das manchas avermelhadas, o sarampo provoca uma imunossupressão temporária que pode durar semanas. Isso significa que o paciente fica vulnerável a infecções oportunistas, como pneumonia e otite. Em casos mais graves, o vírus pode afetar o sistema nervoso, causando encefalite. Uma complicação rara, mas devastadora, é a panencefalite esclerosante subaguda (PEES), que surge anos após a infecção e leva à deterioração neurológica progressiva e morte.

A queda histórica da vacinação no Brasil

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) brasileiro é referência mundial, e a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) está disponível gratuitamente no SUS. A meta é vacinar pelo menos 95% da população-alvo, mas nos últimos anos a cobertura caiu para cerca de 80% em várias regiões. A queda tem relação com mitos sobre vacinas, movimentos antivacina, além de dificuldades de acesso em áreas remotas.

Em 2016, o Brasil recebeu da OMS o certificado de eliminação do sarampo. No entanto, em 2019, o país perdeu esse status após surtos em vários estados. A reintrodução veio principalmente de casos importados de países vizinhos, mas a baixa cobertura local permitiu que o vírus se espalhasse.

O que os especialistas recomenda agora

A orientação é que crianças recebam a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Adultos com até 59 anos que não têm comprovação de vacinação devem procurar uma unidade de saúde e tomar a dose. Profissionais de saúde, mesmo vacinados, podem precisar de uma dose de reforço dependendo do contexto de surto.

As autoridades sanitárias também recomendam o reforço da vigilância epidemiológica: casos suspeitos devem ser notificados imediatamente, e amostras laboratoriais devem ser testadas. O diagnóstico precoce permite isolar o paciente e interromper a cadeia de transmissão.

Impacto social e econômico

Um surto de sarampo sobrecarrega os serviços de saúde: hospitalizações, internações em UTI e tratamento de complicações custam milhões aos cofres públicos. Além disso, o afastamento de pais do trabalho para cuidar de filhos doentes e a morte de crianças causam danos imensuráveis. Em tempos de orçamento apertado, a prevenção é claramente mais barata que o tratamento.

Há também o risco de surtos em populações vulneráveis, como indígenas e comunidades ribeirinhas, onde a vacinação é ainda mais precária. A logística para levar a vacina a esses grupos é complexa, mas essencial.

O que vem a seguir

O Ministério da Saúde já anunciou campanhas de intensificação da vacinação em estados de maior risco. A meta é recuperar a cobertura vacinal e reverter o cenário até o fim do ano. A mensagem principal para a população é direta: vacina é segura, eficaz e gratuita. Quem não está em dia com as doses deve procurar uma unidade básica de saúde.

A longo prazo, o Brasil precisa enfrentar as causas da hesitação vacinal, investindo em comunicação pública clara e no fortalecimento da atenção primária. Sem isso, o sarampo pode se tornar uma doença endêmica novamente, o que seria um retrocesso inaceitável para um país que já mostrou ser possível eliminar a doença.