O olho seco em crianças e adolescentes tem se tornado queixa cada vez mais comum nos consultórios de oftalmologia pediátrica, e o uso excessivo de celulares e tablets aparece como um dos principais fatores por trás do problema. A condição é caracterizada pela falta de lubrificação adequada na superfície ocular, que pode ocorrer por produção insuficiente de lágrimas ou por sua evaporação excessiva.
Por que as telas provocam olho seco em crianças
Ao permanecer muitas horas diante do celular ou do tablet, telas posicionadas muito próximas ao rosto e aos olhos, a frequência do ato de piscar diminui. Esse hábito simples e involuntário é essencial para espalhar as lágrimas sobre a superfície dos olhos e mantê-los lubrificados.
Com menos piscadas, as lágrimas evaporam mais rápido, o que leva à sensação de secura ocular e ao desconforto. Isso explica por que o olho seco em crianças vem sendo observado com mais frequência em consultórios, especialmente entre aquelas que passam horas conectadas a jogos, vídeos e redes sociais.
Sintomas e o impacto na visão
Os principais sinais relatados incluem sensação de areia nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão e visão embaçada. Mães e pais costumam levar a criança ou o adolescente ao oftalmologista com a queixa de que ele começou a piscar mais, além de sentir desconforto ocular.
O quadro pode interferir na qualidade de vida e no desempenho escolar, já que a visão embaçada e a irritação constante atrapalham atividades que exigem leitura, escrita e atenção. Identificar e tratar precocemente o olho seco em crianças é fundamental para evitar desconforto prolongado e complicações na superfície ocular.
Adolescentes: o grupo de maior risco
O alerta é ainda maior entre adolescentes, que passam boa parte do tempo de tela em frente ao celular — a menor das telas e a que mais tem potencial para prejudicar a visão. Outro agravante é o uso do aparelho dentro do quarto, muitas vezes com pouca ou nenhuma iluminação.
Nas escolas, muitos adolescentes já fazem grande parte dos estudos no tablet ou no computador. Em casa, usam o celular no horário recreativo. Com isso, a exposição diária se acumula e cresce o risco de desenvolver sintomas oculares. Muitos pais dizem ao médico: “fala pra ele que não pode usar o celular assim”.
Quanto tempo de tela é aceitável?
A recomendação citada por especialistas é o limite máximo de duas horas diárias de telas para crianças acima de 6 anos e adolescentes, conforme orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria. A ideia não é demonizar a tecnologia, mas criar um equilíbrio que proteja a saúde ocular.
Como não é realista eliminar completamente o contato com telas, a orientação é tentar diminuir o tempo de uso, incentivar pausas e procurar avaliação oftalmológica quando surgirem sintomas. Quanto mais cedo o problema for identificado, mais fácil será evitar que o olho seco em crianças se torne um incômodo constante ao longo do desenvolvimento.
