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Setembro Amarelo: como identificar sinais de crise de saúde mental

O início de setembro marca a campanha nacional Setembro Amarelo, um movimento dedicado à prevenção do suicídio e à conscientização sobre a saúde mental. Neste 1º de setembro de 2026, especialistas e instituições de saúde reforçam o alerta para atitudes e comportamentos que podem indicar que alguém está passando por uma crise psicológica. No Brasil, os transtornos mentais afetam milhões de pessoas anualmente, e a identificação precoce dos sinais é uma das ferramentas mais eficazes para salvar vidas.

O que é o Setembro Amarelo e por que ele importa

Criado oficialmente no Brasil em 2015, o Setembro Amarelo é uma campanha que tem como objetivo quebrar o tabu em torno do suicídio e incentivar o diálogo aberto sobre a saúde mental. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, a cada ano, mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida globalmente. No Brasil, o suicídio é uma das principais causas de morte entre jovens adultos, e muitos casos poderiam ser evitados com suporte adequado e acolhimento.

A escolha do mês de setembro não é aleatória: o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, estabelecido pela OMS e pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio. Durante todo o mês, ações de conscientização, palestras e campanhas nas redes sociais buscam informar a população sobre como reconhecer os sinais e onde buscar ajuda.

Sinais de alerta: o que observar no dia a dia

Mudanças no comportamento são frequentemente os primeiros indícios de que uma pessoa está enfrentando uma crise de saúde mental. Isolamento social repentino, queda no rendimento escolar ou profissional, alterações no sono e no apetite, além de descuido com a aparência, podem ser bandeiras vermelhas.

Outro sinal importante é a verbalização de sentimentos de desesperança, como frases do tipo “não vejo saída”, “nada faz sentido” ou “sou um peso para os outros”. Segundo especialistas, esse tipo de fala não deve ser ignorada ou minimizada como “chamada de atenção”, mas sim tratada com seriedade e acolhimento. A irritabilidade excessiva, o choro frequente e a perda de interesse em atividades antes prazerosas também são indicadores comuns.

Como abordar alguém que pode estar em crise

Conversar pode ser o primeiro passo para ajudar, mas é preciso cuidado com a abordagem. O ideal é escolher um momento privado, sem pressa, e demonstrar interesse genuíno. Evite frases prontas como “isso passa” ou “os outros estão piores”, que tendem a invalidar a dor da pessoa. Em vez disso, pergunte de forma direta, porém sensível: “Como você tem se sentido ultimamente?” ou “Você já pensou em fazer algo para se machucar?”.

Essa pergunta direta não aumenta o risco de suicídio — ao contrário, pesquisas mostram que falar sobre o assunto de forma acolhedora reduz a angústia e abre espaço para que a pessoa busque ajuda. O silêncio e o medo de tocar no tema, por outro lado, podem reforçar o isolamento.

Onde buscar ajuda imediatamente

O Brasil conta com uma rede de apoio gratuita e acessível. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento emocional 24 horas por dia pelo telefone 188, além de chat e e-mail. O Serviço Único de Saúde (SUS) também disponibiliza atendimento psiquiátrico e psicológico nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), presentes em todas as regiões do país.

Em situações de crise aguda, quando há risco iminente de suicídio, a orientação é levar a pessoa imediatamente a um pronto-socorro hospitalar ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pelo 192. Não se deve deixar a pessoa sozinha nesse momento.

O que muda com a conscientização contínua

A campanha Setembro Amarelo não deve ser vista como uma ação pontual, mas como parte de um esforço permanente para desestigmatizar os transtornos mentais. A criação de ambientes de trabalho, escolas e famílias que incentivem o diálogo aberto sobre emoções é essencial para a prevenção a longo prazo.

Especialistas destacam que o autocuidado também é fundamental: manter uma rotina de sono regular, praticar atividades físicas, cultivar hobbies e manter vínculos sociais são medidas que fortalecem a resiliência emocional. Se você ou alguém que conhece está passando por dificuldades, lembre-se: pedir ajuda não é fraqueza, é coragem.