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TDAH: por que os diagnósticos estão aumentando no mundo todo?

Os diagnósticos de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) vêm crescendo de forma consistente em diversos países, e um novo levantamento global reforça essa tendência. O fenômeno, que será tema de discussões em congressos de psiquiatria neste ano, levanta questões importantes: trata-se de uma real epidemia da condição ou de uma maior capacidade de identificar e nomear algo que sempre existiu? A resposta, segundo especialistas, é multifatorial e envolve desde avanços na ciência até mudanças culturais e no ambiente escolar.

O que explica o aumento nas estatísticas

Uma das principais causas apontadas é a evolução dos critérios diagnósticos. As classificações internacionais, como o DSM-5 e a CID-11, ampliaram as faixas etárias e os sintomas considerados, incluindo apresentações predominantemente desatentas, que antes passavam despercebidas, especialmente em meninas e adultos. Além disso, a conscientização popular aumentou: pais, professores e profissionais de saúde hoje reconhecem sinais que antigamente eram atribuídos a “falta de disciplina” ou “preguiça”.

Outro fator relevante é o maior acesso a avaliações especializadas. O crescimento da telemedicina, por exemplo, permitiu que pessoas em regiões remotas chegassem a um diagnóstico. Somam-se a isso as pressões do mundo moderno, como a cultura digital e a sobrecarga de estímulos, que podem tornar os sintomas mais evidentes, embora não sejam a causa do transtorno.

Impactos do diagnóstico precoce ou tardio

O reconhecimento do TDAH em crianças facilita intervenções educacionais e terapêuticas que reduzem o sofrimento escolar e os conflitos familiares. Já o diagnóstico em adultos, cada vez mais comum, explica anos de dificuldades em organização, manutenção de empregos e relacionamentos. A identificação correta permite o uso de medicações seguras e eficazes, como metilfenidato e lisdexanfetamina, além de psicoterapia e coaching.

Por outro lado, o aumento também acende um alerta para o risco de sobrediagnóstico. A avaliação deve ser rigorosa, feita por psiquiatra ou neuropsicólogo, com base em múltiplas fontes e contextos, e não apenas em questionários online. Um diagnóstico equivocado pode levar a tratamentos desnecessários e ao estigma indevido.

O que dizem os especialistas

Pesquisadores do estudo observam que o TDAH não é uma invenção moderna, mas sim uma condição neurobiológica com forte base genética. Estudos de neuroimagem mostram diferenças na maturação de regiões como o córtex pré-frontal, responsável pelo controle inibitório e atenção. Ainda não existe biomarcador único, mas a combinação de histórico clínico e escalas validadas segue como padrão-ouro.

Para muitos especialistas, o aumento de diagnósticos é um avanço civilizatório: permite que pessoas com potencial pleno recebam suporte e deixem de se sentir “incompetentes”. Porém, é fundamental que o sistema de saúde pública se prepare para atender à demanda, com capacitação de médicos e garantia de acesso a tratamentos.

O que vem a seguir

A tendência é que os números continuem subindo nos próximos anos, especialmente entre adultos e mulheres. A pesquisa também deve avançar na investigação de subtipos e na personalização do tratamento, incluindo a farmacogenética para prever respostas a medicamentos. Para o público, o recado é claro: se você ou um familiar apresenta dificuldades persistentes de atenção, impulsividade ou esquecimento que comprometem a vida diária, procurar avaliação especializada é o primeiro passo para uma vida mais equilibrada.