Um amplo estudo envolvendo mais de 270 mil pessoas associou níveis elevados do aminoácido tirosina a uma menor expectativa de vida em homens, com uma redução potencial de quase um ano de vida. A tirosina é encontrada naturalmente em alimentos ricos em proteínas e também é vendida como suplemento alimentar para melhorar o foco e o desempenho mental, o que torna a descoberta especialmente relevante para quem utiliza esses produtos. O mesmo efeito não foi observado em mulheres.
A relação entre tirosina e longevidade masculina
Os pesquisadores usaram tanto dados observacionais quanto análises genéticas para investigar a conexão entre a tirosina e a mortalidade. Primeiro, observaram que níveis mais altos do aminoácido estavam associados a um maior risco de morte entre os participantes. Em seguida, com técnicas de genética, buscaram indícios de causalidade: as estimativas sugerem que a tirosina elevada pode, de fato, reduzir a expectativa de vida masculina em aproximadamente um ano. Esse padrão se manteve mesmo após os cientistas ajustarem os resultados para outros fatores, como os níveis de fenilalanina, um aminoácido precursor da tirosina.
Curiosamente, o mesmo efeito não apareceu entre as mulheres. A análise não encontrou associação significativa entre a tirosina e a longevidade feminina. Os autores do estudo destacam que os homens geralmente apresentam níveis mais altos de tirosina do que as mulheres. Essa diferença pode contribuir para a conhecida disparidade na expectativa de vida entre os sexos, embora os resultados não provem que a tirosina seja a responsável por essa lacuna.
Como o estudo foi conduzido
A pesquisa combinou duas abordagens. Na parte observacional, analisou amostras de sangue de mais de 270 mil indivíduos e comparou as concentrações de tirosina com os registros de mortalidade ao longo do tempo. Na parte genética, utilizou variações hereditárias associadas aos níveis de tirosina para simular um ensaio clínico natural — uma técnica conhecida como randomização mendeliana —, o que fortalece a hipótese de que a associação pode ser causal, e não apenas uma coincidência.
Os cientistas também verificaram se a fenilalanina, outro aminoácido presente em proteínas e que é convertido em tirosina no organismo, teria efeito semelhante. Nesse caso, após controlar os resultados para a tirosina, a fenilalanina não mostrou associação com a longevidade em homens ou mulheres. Isso sugere que a tirosina em si desempenha um papel independente, possivelmente ligado ao envelhecimento celular.
Por que a tirosina pode afetar a vida dos homens?
Os mecanismos ainda não estão claros. Uma das hipóteses levantadas pelos autores envolve a via da insulina e do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), que está relacionada ao metabolismo e ao envelhecimento. A tirosina pode influenciar essa via de alguma forma, especialmente no sexo masculino, mas mais estudos são necessários para confirmar essa explicação.
Enquanto isso, a descoberta serve como um alerta para homens que consomem suplementos de tirosina com o objetivo de melhorar a concentração ou o desempenho cognitivo. Os níveis elevados do aminoácido podem ter consequências não intencionais para a saúde a longo prazo. O estudo, no entanto, não recomenda a interrupção abrupta do uso de suplementos ou a exclusão de alimentos ricos em proteína — a moderação e o acompanhamento médico continuam sendo as melhores práticas.
O que vem a seguir
Os pesquisadores planejam investigar os mecanismos biológicos que explicam por que a tirosina afeta especificamente a longevidade masculina. Além disso, será importante determinar se existe um nível seguro de tirosina no sangue e se há maneiras de modular sua concentração sem comprometer a saúde. Para o público geral, o estudo reforça que mesmo suplementos considerados naturais ou inofensivos merecem cautela, especialmente quando usados continuamente sem supervisão profissional.
Estudo: Impact Journals LLC (estudo publicado em periódico revisado por pares)
